segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lições aprendidas em 2008

Há dias vinha pensando nas palavras que gostaria de dirigir aos leitores deste blog, por ocasião das festividades de Ano Novo... até que decidi compartilhar algumas lições valiosas que aprendi durante 2008, na esperança de que sejam úteis ao seu crescimento e bem-estar em 2009. Parece-me que essa é uma excelente forma de desejar felicidade, saúde, amor e paz a todos vocês!

Aprendi essas lições de quatro pessoas com quem tenho o privilégio de conviver, e também do Profeta Fundador da Fé Bahá'í.

Dona Shoghieh Shaikhzadeh, mãe de minha amiga Faezeh, caiu e fraturou os dois ossos do antebraço. Fui imediatamente ao hospital dar-lhe apoio. Obviamente, ela estava com muita dor, mas enquanto aguardávamos o resultado do raio X, ela repetia uma frase que aprendera com seu pai:


Quando nos acontece algo inesperado ou aparentemente ruim, não devemos questionar a Deus "por quê?", mas sim pedir a Ele que nos mostre "qual é a sabedoria?".

Eu nunca havia pensado nesses termos. Há uma diferença sutil, mas profunda entre as duas perguntas, e elas conduzem a respostas e, conseqüentemente, resultados e conseqüências bem distintos. A tendência da gente é questionar, querer "tirar satisfações" com Deus, exigir explicações... ou seja, colocamo-nos em um lugar que não nos compete. Pior, por ser uma pergunta equivocada, todas as possíveis respostas que obtivermos estarão necessariamente erradas!

Esse foco – de querer explicações e justificativas racionais – não leva a nada. Quando questionamos "por que isso está acontecendo comigo?" – nosso modelo mental está baseado na premissa de que "eu não mereço isso", "isso não é justo" etc. Mas quando perguntamos "qual é a sabedoria?", estamos tentando descobrir e aprender o que toda a situação tem a nos ensinar. Aos poucos, vão surgindo peças de um quebra-cabeças: lições essenciais para o nosso crescimento, para o propósito de nossa existência.

Mudar a pergunta que fazemos a nós mesmos e a Deus representa um salto quântico na forma como percebemos e analisamos qualquer processo (especialmente os dolorosos!) pelo qual passamos. Aprendi algo valioso com meu amigo-irmão Charles Howard:

Talvez Deus se manifeste ou se oculte, a depender das perguntas que fazemos a nós mesmos!

Também aprendi com Mariana Aragão, acadêmica da Escola Bahiana de Medicina, que


"nem tudo faz sentido, mas tudo tem um significado".
Quanta sabedoria nas palavras dessa jovem de 23 anos!!! Todas as coisas que nos acontecem têm um significado: ou seja, têm um propósito, uma lição a ensinar à nossa alma, algo para o nosso benefício espiritual que está oculto em seu interior. Mas nem tudo faz sentido, ou seja, nem tudo tem uma lógica, ou aparentemente é justo, ou é perfeito, ou pode ser compreendido por nossa mente, ou se encaixa em nossa forma racional de analisar a realidade.

Portanto, melhor é não desperdiçarmos nosso tempo e energia na tentativa de querer descobrir "qual é o sentido" das coisas, mas sim focalizarmos em "qual é o significado", o propósito, o ensinamento, a lição que cada experiência nos possibilita.

Tentar descobrir qual é a sabedoria de tudo que se passa em nossas vidas, dar-se conta das oportunidades de aprendizado e transformação que cada crise nos oferece – isso tudo é a tentativa de extrair benefícios ("luz e misericórdia") de algo que aparentemente é apenas negativo ("fogo e vingança"). Estou citando um dos lindos versículos da extraordinária obra "As Palavras Ocultas", revelada por Bahá'u'lláh, em que Deus Se dirige ao ser humano:



"Ó FILHO DO HOMEM!


Minha calamidade é Minha providência; exteriormente, é fogo e vingança, mas, interiormente, é luz e misericórdia. Apressa-te para ela, a fim de que venhas a ser uma luz eterna e um espírito imortal. É este o Meu mandamento a ti; observa-o."

Concluindo com uma pitada de bom humor, cito o Prof. Dr. Antonio Carlos Souza, estimado colega na Escola Bahiana de Medicina, que diz


"o segredo da vida é saber transformar merda em estrume".
Essa frase reforça o que venho aprendendo, e que tentei compartilhar com vocês. Afinal, a matéria constitutiva da merda e do estrume é exatamente a mesma, mas o seu uso e aproveitamento são bem distintos. Merda é sujeira e mau cheiro, todo mundo foge dela. Estrume é um material precioso que permite adubar a terra, gerando frutos e prosperidade!

Que possamos lidar com todos os eventos de 2009 com a atitude que essas sábias pessoas e palavras nos inspiram!

Um comentário:

Pedro Filipe disse...

Gostei muito de ler este post