Sempre que apareces assim, em teu esplendor pleno, em tua beleza radiante, sinto que fico ensandecido. Tento, em vão, desviar o meu olhar, mas algo em ti me hipnotiza e volto a te contemplar, extasiado.
Sei que jamais serás minha, mas ainda assim sonho em ter-te só para mim. E faço de conta que não sei que derramas teu charme para todo e qualquer homem, até mesmo para os que não te dão atenção. Apesar de tudo, não tenho ciúme. Eu me conformo, desde que eu sinta que, em meio à multidão de admiradores e apaixonados, tu me percebes.
Tu sabes, como ninguém, cultivar essa aura de mistério - convidativa e distante ao mesmo tempo, por vezes, exibida ou tímida, sensual ou fria - o que te torna mais sedutora ainda.
Faço de conta que não existes, mas ao primeiro sinal de tua aparição, todo o meu ser se altera. Pra ser sincero, já me dei conta que, desde a véspera, entro num estado de expectativa e excitação, como se a intuição colocasse todo o corpo em estado de alerta. Fico sensível, agitado, inundado de desejos.
Tento me esquecer de ti, dessa paixão impossível, mas logo descubro tratar-se, na realidade, de um amor incurável. Às vezes me aborreço por teres um efeito tão intenso sobre mim, como se eu não conseguisse me controlar. “Quem ela pensa que é ?”
E quando resolves brincar de esconde-esconde, fugindo de mim por detrás de árvores, prédios, nuvens ? ... Atiças meu desejo e reafirmas que és livre, segues teu próprio ciclo e que ninguém te controla. Que posso fazer ?
Quando vais embora sem me avisar, fico magoado, furioso e indignado com tua falta de consideração... Mas já me acostumei a teus hábitos e aceitei as condições que estabeleceste para o nosso relacionamento. Que posso fazer ?
Mas essa indignação desaparece assim que ergo os olhos e descubro que tu, Lua Cheia, estás a iluminar o céu da Terra e do meu coração, também. Pena que demoras 28 dias para regressar e trazer de volta a minha inspiração.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
E por falar de amor...
Imagine a situação: você está carente, curando feridas emocionais de relacionamentos anteriores, num longo período de solidão, em busca do amor... e, de repente, conhece uma pessoa com valores de vida alinhados aos seus, além de várias qualidades que você muito preza. Você se apaixonaria instantaneamente? Ou conseguiria se aproximar controlando cada passo racionalmente?
Bem, aconteceu comigo. Mais de uma vez. Já faz tempo... Acho que em quase todas, eu fiquei no grupo dos que se apaixonam na hora.
Inspirado por um desses encontros estremecedores, escrevi o texto abaixo. A maioria das palavras se inicia com a letra "S", tal como o nome da musa daquele momento.
Bem, aconteceu comigo. Mais de uma vez. Já faz tempo... Acho que em quase todas, eu fiquei no grupo dos que se apaixonam na hora.
Inspirado por um desses encontros estremecedores, escrevi o texto abaixo. A maioria das palavras se inicia com a letra "S", tal como o nome da musa daquele momento.
Simpática Senhorita,
Senti-me sensibilizado com a sua sede de significado, seus serviços solidários e seu sonho de semear sabedoria. Saiba que em meu sangue surgem sentimentos semelhantes por segundo.
Da Sibéria ao Saara, de Santo Antônio a São Paulo, sinetes subliminares soterraram o sentido do suor e do suspiro. Suprimiram-lhes o sagrado, sujeitando-os a um sofisticado simulacro, subvertendo-os em sofismas. Substituíram a súplica sincera pela surdez, a servitude pela servidão, a simplicidade pelo simplório, a saúde pelo silicone, o social pela solidão, o século pela semana, o solene pela soberba, a sabedoria por slogans.
Sobreviveremos? Sim! O Sol sempre sobrepuja a sombra. Se nossos semblantes sufragam esse segredo, saberemos sublimar o sofrimento e socializar a satisfação.
Sutis sinais siderais são saboreados somente pelos sensíveis. Saúdo a sincronicidade que sugere a sanidade e sepulta o sofrer secreto. Na surdina, o saldo é uma sigilosa saudade que somente eu sanciono. Ao Soberano Senhor suplico socorro e segurança, e aos Serafins, serenidade. Senão, uma sísmica sacudida setentrional será sofrida silenciosamente no seio de meu sistema somático e sensorial. Sequer sonhas com o solavanco dessa síndrome.
Há solução? Sim, na sintonia socializada entre dois seres que, em sinergia, sussurram sílabas sonoras e silenciosas de sagrados sentimentos.
Se não surgir a solução, soturno serei, mas sobreviverei e saberei sobrepujar. Sim, superarei o sofrer e a sede. Serei sempre o que sou, sem simulações.
Sinceramente, Feizi
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